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Quem tem medo do Design Inteligente?

14 dezembro, 2013

Who's Afraid of Intelligent Design?

By Jay Mathews mathewsj@washpost.com., March 23, 2005; Page A15

Meu professor do ensino médio favorito, Al Ladendorff, conduziu sua aula de história americana como uma versão estendida de "Meet the Press". Nada, nem mesmo os livros didáticos de outros professores, bem como a Sagrada Escritura, estavam a salvo de ataques. Eu olhei fixamente para aquela classe todo o dia. Minha aula de biologia, infelizmente, era outra história. Eu me arrastei sem alegria por todos os filos e os princípios do darwinismo, memorizando o melhor que pude. Nunca me ocorreu que esta classe poderia ter sido tão interessante como a história que eu recentemente comecei a ler sobre o "design inteligente", o último assalto ao ensino da evolução em nossas escolas. Muitos especialistas em educação e cientistas importantes dizem que temos de manter esse absurdo religioso fora de sala de aula. Mas isso é realmente uma boa ideia?

Sou tão devota do darwinismo como ninguém. Eu li todos os ensaios sobre a evolução do falecido Stephen Jay Gould, um dos meus escritores favoritos. O Deus que eu adoro que, penso eu, ser inteligente o suficiente para criar o universo, sem, como Gênesis alega, violando suas próprias leis observáveis ​​da conservação da matéria e energia em uma construção de seis dias. Mas depois de entrevistar apoiadores e opositores do design inteligente, que defendem, entre outras coisas que os organismos de hoje são complexos demais para terem evoluído a partir de produtos químicos primordiais por acaso ou necessidade, eu acho que as críticas da biologia moderna, ao contrário das lições do Ladendorff, poderia ser uma das melhores coisas que aconteceram para a ciência do ensino médio.

Vá em uma classe de ensino médio de biologia e você vai encontrar a mesma marcha lenta, de memorização que eu suportei aos 15 anos. Por que não animar os estudantes com um debate sobre as teorias contrastantes? Por que não ver um advogado do design inteligente a ser interrogado? Muitos estudantes, como eu, acham difícil entender a teoria da evolução, e o próprio método científico, até que eles sejam iluminados por pontos de vista contrastantes. E por que parar com a biologia? Professores de Física poderiam pedir aos alunos para explicar em por que uma máquina de movimento perpétuo nunca irá funcionar. Professores de Ciências da Terra poderia mostrar por que a teoria do estado estacionário do universo perdeu para o Big Bang - assim como Al Ladendorff, destacado gênio da Constituição dos EUA, mostrou por que os Artigos da Confederação faliram.

Por incrível que pareça, nem as pessoas pró-design possuem a ideia de injetar sua disputa em aulas de biologia. John West, diretor associado do Centro de Ciência e Cultura, Discovery Institute com sede em Seattle, que promove o design inteligente, disse que a exigência do seu uso nas escolas iria transformar sua crítica da evolução "em um jogo político". Eugenie C. Scott, diretor-executivo do Centro Nacional para a Educação Ciência em Oakland, na Califórnia, disse que vai distrair a pesquisa evolucionária comprovada, e fora criar uma multidão de outros temas e muita confusão.

Alguns bons professores de biologia disseram a mesma coisa. Sam Clifford em Georgetown , no Texas, disse que o design inteligente é "uma fragmentada , mistura aleatória" que ele não tem tempo. Dan Costa em Mount Vernon High School, em Fairfax County , disse que uma dissecação do design inteligente em sua classe seria visto por alguns alunos como um ataque à sua religião. Todos pareciam estar dizendo que a maioria dos alunos e professores do ensino médio dos Estados Unidos não são inteligentes o suficiente para lidar com um tema tão explosivo. Mas como saberemos se continuarmos a pagar advogados caros para garantir que essa experiência nunca seja realizada?

O pessoal do design inteligente dizem que não ensinam uma doutrina religiosa. Eles podem estar mentindo, e estão apenas suavizando o ensino da evolução para um eventual ataque pró-Gênesis. Mas eles passaram num dos meus testes. Eles responderam uma pergunta favorita de Gould: Se você é cientistas de verdade, então qual evidência refutaria sua hipótese? West indicou que qualquer descoberta de precursores de estruturas corporais de animais que apareceram no período Cambriano, 500 milhões de anos atrás, lançaria dúvidas sobre a tese de que essas estruturas, em desafio a Darwin, evoluíram de um ancestral comum universal.

Esse é o início de uma grande aula, e alguns professores estão fazendo isso, embora calmamente. John Angus Campbell, que ensina a Retórica da Ciência e da Fala na Universidade de Memphis, vem tentando convencer mais professores em deixar seus alunos consideram críticas sobre Darwin. Como eu, Campbell reverencia o filósofo do século XIX John Stuart Mill, que disse que as boas ideias devem ser questionadas para que não se degenerem em dogma.

Tornando Darwin em um deus inatacável, sem manchas, Campbell disse, que isso não dá exercício aos cérebros estudantis. "Se você não vê os riscos, se você não ver as lacunas ", disse ele , " você não vê a genialidade de Darwin."


Referências

Tradução livre http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A58465-2005Mar22.html

A revista Nature afirma "Nenhuma teoria é muito especial para ser questionada" [Menos a de Darwin!!!]

17 março, 2012

A revista Nature afirma "Nenhuma teoria é muito especial para ser questionada"

Giovanni Amelino-Camelia, um físico teórico na University de Roma La Sapienza, tem um artigo bem sério publicado na revista Nature intitulado, "No theory is too special to question. [Nenhuma teoria é muito especial para ser questionada]". Ele reconta a disputa recente sobre a suposta descoberta de neutrinos que podem viajar mais rápido do que a luz. Como ele destaca, após mais experimentos, ficou demonstrado que os neutrinos não podem viajar mais rápido do que a luz. Mas ele também destaca que refutar a afirmativa foi um exercício útil para a comunidade da física teórica:

"A situação instigou a comunidade da física fundamental discutir o modo apropriado de lidar com casos nos quais os resultados experimentais preliminares desafiam as leis "estabelecidas". (Neste caso, aquela que muitos físicos têm em grande estima mais do que as outras - a teoria da relatividade especial de Einstein.)"

Parece que aqueles físicos estavam abertos a desafiar uma de suas teorias mais preciosas, a relatividade especial. A teoria de Einstein saiu dos tests sem nenhum arranhão, mas o próprio fato de que eles estavam dispostos a considerar a possibilidade de que a relatividade especial estivesse errada, e testá-la de um modo significativo, é significante. Ele prossegue:

"Questionar nossas leis, mesmo na base de experimentos preliminares, é um exercício saudável. Nós devemos assumir que a próxima revolução fundamental em física está adiante de nosso nariz, em segurança além do alcance de nossos cérebros, mas dentro do alcance do próximo experimento verdadeiramente inovador."


Fig. 1 - Kit "evangelismo" sobre evolução, fornecido pela Nature.

Assim, qual é a teoria que muitos biólogos "têm em grande estima mais do que as outras"? Claramente, é a evolução. Mas quando foi a última vez que você viu um artigo assim na Nature, que louvasse a disposição dos biólogos a desafiar os aspectos fundamentais evolução, como a seleção natural ou a descendência comum? Nunca! Em vez disso, você encontra na Nature afirmações ousadas sobre como os "cientistas podem tratar a evolução através da seleção natural como sendo, na verdade, um fato estabelecido."

Parece que a liberalidade e a disposição de tolerar questionamento fundamental que nós vemos na comunidade da física está muito ausente na comunidade da biologia.


Referências

Introdução a Teoria do Design Inteligente

18 fevereiro, 2012


As ciências nascem com o pressuposto de descobrir como o mundo e as coisas funcionam, ou seja, conhecer plenamente o Universo e "de quebra" aperfeiçoar a vida humana. O conhecimento deixado inicialmente pelos homens que vieram antes de nós são tidos como referência para que possamos olhar para o futuro, assim como afirmou sr. Isaac Newton: Se cheguei aqui foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes.

A ciência foi concebida de modo que as suas conclusões seriam aceitas independentemente de onde nos levaria, ou seja, o cientista/pesquisador apenas concluiria o que as evidências estariam lhe mostrando. Essa perspectiva tenta fazer com que as conclusões sejam transparentes e sem preconceito.
A metodologia científica não está isenta de erros, ou seja, mesmo analisando as evidências os cientistas podem cometer equívocos e que serão corrigidos em pesquisas futuras. Por exemplo, Kepler acreditava que as crateras da Lua foram feitas inteligentemente pelos seus habitantes, Ernst Haeckel acreditava que a célula humana era simples como uma bola de bilhar.

Algumas perguntas chaves permeiam as mentes dos pesquisadores e inquietam a humanidade, de onde viemos? para onde vamos? e quem somos? A essas perguntas a Ciência não consegue explicar, pois está fora do escopo, ficando o cargo para outros ramos do pensamento humano como a filosofia. A filosofia da ciência e a história da ciência representam aspectos importantes a serem analisados e comparados a fim de avaliar os fenômenos ocorridos no pensamento humano.

O consenso acadêmico e a ciência

Historicamente grandes nomes como o próprio Newton, Thompson, Kepler, Faraday, Boyle, Dalton, Maxwell, Pasteur, Pascal entre outros contribuíram grandemente para a ciência, tinham uma cosmovisão (visão de mundo) baseada na existência de um designer. Cada um trouxe ao mundo suas contribuições muitas vezes motivados justamente por entender que o mundo é produto de um designer e que o mesmo designer prescreveu leis para reger o Universo.

Porém em 1859 Charles Darwin publica o livro A origem das Espécies, através da seleção natural, e no seu bojo propõe a Teoria da Evolução (TE), como o próprio nome diz ali estaria a explicação sobre de onde vieram as espécies e como toda a complexidade da vida existente na terra veio existir através de processos naturais não guiados.

Essa ideia provoca prematuramente uma mudança no pensamento dos círculos acadêmicos tendo em vista que a vida agora é fruto de um processos não guiados. Desde então está terminantemente proibido pensar que existe um designer! não existe um propósito na vida, e qualquer argumento que contrarie as ideias darwinianas deve ser rejeitado. A partir de agora todos os que acreditam na existência de um designer são repudiados e vistos como anti-científicos, que por sua vez estão impedindo o avanço da Ciência. O grande problema de se limitar o método científico é que a ciência não pode avaliar as evidências de forma neutra, não pode levantar mais as hipóteses, pois o paradigma vigente não permite. A Ciência agora está algemada e presa, por que não dizer cega de um dos olhos.

Essa decisão provoca impactos que ecoam por todo os campos científicos. Porém é importante analisar algumas frases que tiveram destaque nos círculos acadêmicos, como a frase do famoso biólogo Francis Crick, co-descobridor da dupla hélice do DNA:


Os biólogos têm que se lembrar constantemente que o que eles observam não foi criado mas, em vez disso, evoluiu. (Francis Crick, 1988)


Esse tipo de declaração demonstra muito bem algo que é anti-científico e que pode prejudicar o progresso da Ciência. Um posicionamento desse tipo não pode ser tomado como método para o trabalho acadêmico. Infelizmente esse é o que predomina no paradigma vigente e no consenso acadêmico, toda a complexidade encontrada na natureza, das mais simples até as mais complexas são frutos de processos naturais não guiados e os cientistas devem mentalizar, repetir como um mantra esse pensamento enquanto estão em seus laboratórios.

O Design Inteligente em pauta


A Teoria do Design Inteligente (TDI) em contraposição a TE trabalha sobre a análise das evidências observando as que apontam para processos naturais e as que apontam para um designer, não é objetivo então, saber quem é esse designer. Nesse sentido, reunir evidências que caracterizem um designer é o objeto de estudo da TDI. A ideia da TDI tem recebido críticas de maneira que a mesma tem dividido a academia entre aqueles que sustentam a TE e os que acreditam que os processos naturais não conseguem produzir a complexidade e a vida.


Um dos principais cientistas defensores da TE, Richard Dawkins, afirma categoricamente que a complexidade e a vida são fruto dos processos naturais não guiados. Porém curiosamente no documentário Expelled - no intelligence alowed Richard Dawkins afirma que o design poderia ser uma hipótese viável para a ciência. Porém em seus livros ele  afirma que o design que podemos ver na natureza é aparente e não real, ao passo que os que propõem a TDI afirmam que o design presente na natureza não só é real mas intencional, e que podemos encontrar evidencias que apoiam esse argumento.

Michel Behe um dos principais acadêmicos a defender a TDI oferece em seu livro, A caixa preta de Darwin, um apanhado de informações que fundamentam a crítica contra as idéias fundamentais da TE, e por fim sugere evidências a favor do design. Behe afirma que a TE não se sustenta diante da Bioquímica através de três argumentos: Complexidade Irredutível, Complexidade Especificada e Princípio Antrópico.

A TDI é baseada em três pilares: Informação Aperiódica e Funcional, Antevidência funcional e Complexidade Irredutível. Esse último termo foi cunhado por Michel Behe. Esse conceito demonstra que alguns mecanismos não podem surgir através de mudanças sequenciais e lentas, como propõe a TE. Nesse sentido, os mecanismos não seriam produto da evolução darwiniana. Para reforçar esse argumento Behe propõe a analogia de uma ratoeira, a ratoeira precisa de alguma partes elementares para funcionar (uma base, uma mola e um gatilho), a função da ratoeira é conhecida (pegar ratos) e isso só ocorrerá caso os elementos estejam presentes e organizados de uma maneira especifica.

Esse argumento é exemplificado em diversos mecanismo presente nos organismos vivos, ou seja, assim como uma ratoeira não consegue pegar ratos caso alguma de suas partes não estejam presentes e organizadas assim as partes da vida não poderia funcionar. Esse argumento é diametralmente oposto a TE que acredita que todos os mecanismos vivos são resultado de pequenas e incrementais mudanças. Um dos grandes exemplos da complexidade irredutível é o flagelo bacteriano, que possui basicamente três partes essenciais: o rotor, o estator e o eixo (além de outras partes de fixação e acoplamento). O flagelo bacteriano é responsável por transformar uma corrente de prótons em movimento circular, uma engenharia extremamente minimalista ao ponto de atingir níveis altíssimos de eficiência. Essa estrutura não pode ser explicada como proveniente de etapas sequenciais, mas só pode ser explicada através de uma única etapa, um salto de complexidade.

Fig. 01 - Flagelo bacteriano

A célula é outro exemplo do argumento da complexidade irredutível, contra a variação lenta e gradual produzindo complexidade. Dentro da célula existem mecanismos complexos, chamados muitas vezes de maquinaria celular, essa maquinaria se caracteriza por conter o tipo de complexidade explicado por Behe, ou seja não poderiam existir em estágios intermediários. Outra máquina muito importante dentro da célula são as moléculas de DNA, que além de apresentar as características de complexidade especifica apresenta uma capacidade impressionante de tratar, transcrever e guardar informação.


Fig. 02 - Representação da célula humana

Muitas vezes esses argumentos são classificados como argumentos de apelo à ignorância. Porém quando os biólogos afirmam a complexidade da célula eles afirmam conhecendo bem as informações e os processos conhecidos de maneira que processos lentos e graduais não preenchem as condições necessárias para se construir esse tipo de complexidade.

Considerações finais

O consenso contra a ideia de Design introduzida no meio acadêmico foi a mola propulsora contra a sensação que temos hoje. Porém a ciência repousa em alicerces teístas sem nem perceber de maneira que desprezar o seu legado constitui-se em um grande erro. Ao se observar as evidências químicas, a evolução infelizmente não se sustenta deixando apenas a fé para aqueles que esperam uma proposta convincente da geração espontânea e evolução química.

Referências

CRICK, Francis, What mad pursuit: a Personal View of Scientific Discovery, Sloan Foundation Science, London, 1988, p. 138.

STEIN, Ben, Expelled - no intelligence alowed, http://www.imdb.com/title/tt1091617/ 2008.

GEISLER. Norman, TUREK, Frank, Eu não tenho fé suficiente para ser ateu, Ed. Vida, 2006.

BEHE. Michael J., A caixa preta de Darwin: O desafio da bioquímica e a teoria da evolução. Ed. Zahar, 1997.

II Congresso Darwinismo hoje, www.mackenzie.br/2_darwinismo_videos.html, 2009.